{"id":5915,"date":"2024-04-09T08:00:00","date_gmt":"2024-04-09T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.thepresident.com.br\/?p=5915"},"modified":"2026-01-11T20:10:25","modified_gmt":"2026-01-11T23:10:25","slug":"museu-de-novidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapa360.com.br\/thepresident\/museu-de-novidades\/","title":{"rendered":"Museu de novidades"},"content":{"rendered":"<p>Como se tornar um colecionador de arte? Encontre seu nicho, treine seu olhar e saiba por onde come\u00e7ar<\/p>\n<p><i>Por <\/i><a href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/in\/silviane-neno-881b48a7\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Silviane Neno<\/strong><\/a><\/p>\n<p>Esta \u00e9 a hist\u00f3ria de uma revela\u00e7\u00e3o seguida de um aprendizado. O arquiteto paulistano Jo\u00e3o Armentano se lembra de um amigo muito culto, que sempre o chamava para degustar um vinho de alt\u00edssima qualidade. Assim ocorria cada vez que comprava uma obra de arte. Durante os agrad\u00e1veis encontros, o arquiteto, de olhar treinado e bom gosto, distribu\u00eda palpites sobre o lugar da casa onde deveria ser disposta a nova aquisi\u00e7\u00e3o. Numa das noites, o parceiro hedonista mostrou a nova compra: uma tela de Rembrandt, nem mais, nem menos. Deslumbrado com a preciosidade, Armentano sugeriu que, por sua relev\u00e2ncia, a tela deveria ocupar o ambiente mais nobre da casa, a sala da lareira.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>O anfitri\u00e3o, de bate-pronto, recha\u00e7ou a ideia. \u201cJo\u00e3o, sabe quantas vezes vou a essa sala? Quase nunca.\u201d E emendou dizendo que a pintura ficaria no corredor que dava acesso ao quarto dele, por onde passava v\u00e1rias vezes, todos os dias.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cAquilo foi uma li\u00e7\u00e3o para mim, uma evolu\u00e7\u00e3o na minha maneira de pensar\u201d, lembra Armentano. O Rembrandt era para ser admirado principalmente pelo dono. O amigo, claro, era um colecionador \u2013 e colecionar arte envolve paix\u00e3o, seja para a pr\u00f3pria contempla\u00e7\u00e3o, seja para compartilhar com a fam\u00edlia e os amigos. Traduz algum status, \u00e9 natural. O colecionismo \u00e9 uma pr\u00e1tica \u2013 e um prazer \u2013 particular, muitas vezes inef\u00e1vel, mas fascinante.<\/p>\n<figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img width=\"768\" height=\"503\" src=\"https:\/\/www.thepresident.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/www.thepresident.com.br-museu-de-novidades-museu-novidades-1-768x503.webp\" alt=\"\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" srcset=\"https:\/\/www.thepresident.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/www.thepresident.com.br-museu-de-novidades-museu-novidades-1-768x503.webp 768w, https:\/\/www.thepresident.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/www.thepresident.com.br-museu-de-novidades-museu-novidades-1-300x196.webp 300w, https:\/\/www.thepresident.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/www.thepresident.com.br-museu-de-novidades-museu-novidades-1-1024x670.webp 1024w, https:\/\/www.thepresident.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/www.thepresident.com.br-museu-de-novidades-museu-novidades-1.webp 1406w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption>Ser fisgado pela<br \/>\narte \u00e9 a melhor<br \/>\nforma de come\u00e7ar.<br \/>\nNa foto de abertura, trabalhos de<br \/>\nAvaf. Acima, de<br \/>\nMarcela Cantu\u00e1ria<\/figcaption><\/figure>\n<p>A origem do colecionismo remonta aos s\u00e9culos 16 e 17, com os chamados Gabinetes de Curiosidades, sal\u00f5es em que os exploradores exibiam objetos de viagem: animais empalhados (hoje malvistos, com a pr\u00e1tica de taxidermia contestada), desenhos, pinturas e todo tipo de achado de valor. Os aposentos destinados \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o eram os \u201cquartos de maravilhas\u201d. Esses gabinetes s\u00e3o considerados os precursores dos museus de arte. Nos tempos de hoje, a aventura \u00e9 menos selvagem e o objeto da ca\u00e7a, ou o trof\u00e9u, pode estar \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, por exemplo, numa boa galeria de arte. Qualquer cole\u00e7\u00e3o, grande ou pequena, come\u00e7a sempre com a primeira obra, simples assim.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Por onde come\u00e7ar?<br \/><\/strong>O primeiro passo \u00e9 identificar o tema e o suporte prediletos \u2013 fotografia, pintura ou escultura? A arte moderna brasileira ou o pop norte-americano? Abstrata ou cin\u00e9tica. Um artista em particular? As possibilidades s\u00e3o infinitas, da\u00ed a fundamental garimpagem. Um bom conselho inicial \u00e9 contratar os servi\u00e7os de um <i>art advisor<\/i>, conselheiro sem o qual a largada ser\u00e1 sempre mais dif\u00edcil. \u201cOs <i>advisors<\/i> s\u00e3o independentes para opinar porque n\u00e3o representam nenhuma galeria ou artista. N\u00e3o s\u00e3o <i>marchands<\/i>. S\u00e3o consultores de arte que procuram entender o que o cliente quer e o quanto pode gastar\u201d, diz o <i>art-advisor <\/i>Felipe Hegg. Depois de dez anos como s\u00f3cio de uma galeria em S\u00e3o Paulo, agora ele se dedica a ajudar clientes a formar suas cole\u00e7\u00f5es particulares.\u00a0<\/p>\n<p>Conversar com pessoas imparciais e com outros colecionadores \u00e9 uma excelente fa\u00edsca inaugural. Outra dica \u00e9 n\u00e3o se guiar por m\u00eddias sociais. O artista que tem mais \u201clikes\u201d n\u00e3o \u00e9 o que tem o melhor trabalho. Procure conhecer a trajet\u00f3ria pessoal dele, se ganhou pr\u00eamios, se tem carreira consistente e coerente. Isso n\u00e3o significa, contudo, n\u00e3o valer a pena investir em novos nomes, em artistas emergentes <i>(veja quadro).<\/i> E pesquise, pesquise \u2013 pesquise muito. Conhe\u00e7a em detalhes a linha do tempo, de vida e profissional, do artista que vai levar para casa. Em alguns casos \u00e9 poss\u00edvel at\u00e9 visitar os ateli\u00eas, a porta de entrada para ser fisgado de vez. \u201cO primeiro crit\u00e9rio para iniciar uma cole\u00e7\u00e3o de arte \u00e9 se sentir arrebatado por uma obra, quase um soco no est\u00f4mago\u201d, diz a curadora Ana Carolina Ralston. \u201cSer tocado pela arte \u00e9 a forma mais genu\u00edna de come\u00e7ar.\u201d Colecionar, enfim, \u00e9 um processo que parte da curiosidade, de querer saber mais, da expans\u00e3o do olhar.<\/p>\n<figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img width=\"754\" height=\"1132\" src=\"https:\/\/www.thepresident.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/www.thepresident.com.br-museu-de-novidades-museu-novidades-2.webp\" alt=\"\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" srcset=\"https:\/\/www.thepresident.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/www.thepresident.com.br-museu-de-novidades-museu-novidades-2.webp 754w, https:\/\/www.thepresident.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/www.thepresident.com.br-museu-de-novidades-museu-novidades-2-200x300.webp 200w, https:\/\/www.thepresident.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/www.thepresident.com.br-museu-de-novidades-museu-novidades-2-682x1024.webp 682w\" sizes=\"auto, (max-width: 754px) 100vw, 754px\" \/><figcaption>Ir a museus aonde nunca se foi, visitar galerias e<br \/>\npesquisar sobre a trajet\u00f3ria dos artistas s\u00e3o dicas fundamentais para come\u00e7ar uma cole\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Conv\u00e9m n\u00e3o sair por a\u00ed atirando ao l\u00e9u. \u00c9 fundamental visitar museus, galerias e exposi\u00e7\u00f5es. Mergulhar, enfim, nesse universo, que pode parecer desconhecido, mas est\u00e1 ali para ser desvendado em m\u00faltiplas interpreta\u00e7\u00f5es. \u201cDialogue com as obras de arte. Sinta pontos em comum com voc\u00ea, com a sua hist\u00f3ria, com o seu desejo\u201d, aconselha o galerista Eduardo Fernandes. \u201cTraga para a sua vida obras que o transformem, toquem seu cora\u00e7\u00e3o, sua alma, seu intelecto.\u201d\u00a0 Tudo isso, sim, mas com o cuidado de n\u00e3o cair em armadilhas ou falsas promessas emolduradas por um modismo barato. As tend\u00eancias art\u00edsticas v\u00e3o longe no tempo, persistem, sobrevivem e gostam de ser reinventadas. O modismo \u00e9 como uma nuvem passageira. \u201c\u00c9 importante entender e estudar as tend\u00eancias, mas fugir dos modismos \u00e9 essencial\u201d, conclui a curadora Ana Carolina.<\/p>\n<p>Outro conselho, crucial, \u00e9 n\u00e3o comprar por impulso. \u201cUma cole\u00e7\u00e3o se constr\u00f3i a m\u00e9dio e longo prazos\u201d, ensina Felipe Hegg. Trata-se de vir antes a paquera, depois o namoro e finalmente o casamento. Compare, reflita e fa\u00e7a do jogo um prazer. Pode at\u00e9 vir a fazer dinheiro em um futuro breve, tanto melhor, mas a\u00ed \u00e9 outra conversa. O que vale mesmo \u00e9 a travessia, o esfor\u00e7o, a investiga\u00e7\u00e3o e a certeza de ter algo muito bom em m\u00e3os. Para muita gente, faz t\u00e3o bem quanto as viagens. Investir em arte, afinal, \u00e9 ficar mais rico \u2013 mentalmente, e at\u00e9 mesmo do ponto de vista financeiro. Distraia-se com seriedade. At\u00e9 um dia poder pendurar um Rembrandt no corredor que d\u00e1 acesso aos quartos. Ou, como ensinou o fil\u00f3sofo alem\u00e3o Walter Benjamin: \u201cTalvez o motivo mais rec\u00f4ndito do colecionador possa ser circunscrito da seguinte forma: ele empreende a luta contra a dispers\u00e3o. O grande colecionador \u00e9 tocado bem na origem pela confus\u00e3o, pela dispers\u00e3o em que se encontram as coisas no mundo\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/www.thepresident.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/www.thepresident.com.br-museu-de-novidades-museu-novidades-3.webp\" data-elementor-open-lightbox=\"yes\" data-elementor-lightbox-slideshow=\"all-be5be7b\" data-elementor-lightbox-title=\"Museu novidades 3\" data-e-action-hash=\"#elementor-action%3Aaction%3Dlightbox%26settings%3DeyJpZCI6NTkxOCwidXJsIjoiaHR0cHM6XC9cL3d3dy50aGVwcmVzaWRlbnQuY29tLmJyXC93cC1jb250ZW50XC91cGxvYWRzXC8yMDI0XC8wNFwvd3d3LnRoZXByZXNpZGVudC5jb20uYnItbXVzZXUtZGUtbm92aWRhZGVzLW11c2V1LW5vdmlkYWRlcy0zLndlYnAiLCJzbGlkZXNob3ciOiJhbGwtYmU1YmU3YiJ9\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/a><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/www.thepresident.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/www.thepresident.com.br-museu-de-novidades-museu-novidades-4.webp\" data-elementor-open-lightbox=\"yes\" data-elementor-lightbox-slideshow=\"all-be5be7b\" data-elementor-lightbox-title=\"Museu novidades 4\" data-e-action-hash=\"#elementor-action%3Aaction%3Dlightbox%26settings%3DeyJpZCI6NTkxOSwidXJsIjoiaHR0cHM6XC9cL3d3dy50aGVwcmVzaWRlbnQuY29tLmJyXC93cC1jb250ZW50XC91cGxvYWRzXC8yMDI0XC8wNFwvd3d3LnRoZXByZXNpZGVudC5jb20uYnItbXVzZXUtZGUtbm92aWRhZGVzLW11c2V1LW5vdmlkYWRlcy00LndlYnAiLCJzbGlkZXNob3ciOiJhbGwtYmU1YmU3YiJ9\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/a><\/p>\n<p><b>GENTE NOVA, COLORIDA<\/b><\/p>\n<p>\u201cApostar em novos artistas pode ser mais vantajoso e prazeroso. O ganho costuma ser mais veloz, mas \u00e9 fundamental se cercar de profissionais da \u00e1rea para saber em quem investir\u201d, diz a curadora Ana Carolina Halston. Aqui, dez nomes que podem ser boas escolhas na vis\u00e3o de Felipe Hegg, da Felipe Hegg Art Advisory.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Marcela Cantu\u00e1ria (Galeria A Gentil Carioca)<\/p>\n<p>Vivian Caccuri (A Gentil Carioca)<\/p>\n<p>Paulo Nimer Pjota (Mendes Wood DM)<\/p>\n<p>Avaf (Piv\u00f4)<\/p>\n<p>Paulo Nazareth (Mendes Wood)<\/p>\n<p>Lucas Sim\u00f5es (Casa Tri\u00e2ngulo)<\/p>\n<p>Guy Veloso (Kamara- K\u00f3)<\/p>\n<p>La\u00eds Amaral (HOA Galeria)<\/p>\n<p>Cristiano Lenhardt (Fortes D\u2019Aloia &amp; Gabriel)<\/p>\n<p>Thomaz Rosa (Quadra Galeria)<\/p>\n<p><br style=\"font-weight: 400;\" \/><br style=\"font-weight: 400;\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como se tornar um colecionador de arte? 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