{"id":25375,"date":"2025-11-17T17:19:12","date_gmt":"2025-11-17T20:19:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.thepresident.com.br\/?p=25375"},"modified":"2026-01-11T20:10:00","modified_gmt":"2026-01-11T23:10:00","slug":"na-terra-da-inovacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapa360.com.br\/thepresident\/na-terra-da-inovacao\/","title":{"rendered":"Na terra da inova\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Parceiro de conte\u00fado da THE PRESIDENT, o Future Hacker apresenta, com exclusividade, cap\u00edtulo do relat\u00f3rio Horizon. O futuro da alimenta\u00e7\u00e3o e do agroneg\u00f3cio passa por aqui<\/p>\n<p><strong>Qual foi a grande disrup\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria da humanidade?<\/strong> Muitos historiadores responder\u00e3o de bate-pronto: a agricultura. Ela representou uma ruptura, trazendo tanto avan\u00e7os como perdas. Levou \u00e0 abund\u00e2ncia, mas tamb\u00e9m a desigualdades sociais e ao surgimento de doen\u00e7as. De qualquer maneira, a agricultura \u00e9 um marco essencial para o florescimento da civiliza\u00e7\u00e3o \u2014 o ponto de partida para vilas, cidades, escrita, com\u00e9rcio e cultura. O cultivo de lavouras e a domestica\u00e7\u00e3o de animais mudaram para sempre a rela\u00e7\u00e3o entre o ser humano e a natureza.<br \/>No contexto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, novas formas de produzir alimentos v\u00eam ganhando relev\u00e2ncia. O advento das agritechs, por exemplo, com os novos alimentos \u2014 e superalimentos. Ao mesmo tempo, uma agricultura urbana e vertical tem potencial para ser uma solu\u00e7\u00e3o eficiente para as metr\u00f3poles. No meio disso tudo, h\u00e1 empresas e iniciativas trabalhando para reduzir drasticamente o desperd\u00edcio de alimentos. Um agro tecnol\u00f3gico, sustent\u00e1vel e regenerativo est\u00e1 brotando.<\/p>\n<p><strong>Biohacking alimentar<\/strong><\/p>\n<p>Aquilo que vai para o prato das pessoas precisa estar no centro das discuss\u00f5es. Precisamos saber como levar a comida para mais gente, de forma mais saud\u00e1vel e sustent\u00e1vel. \u201cA chave \u00e9 priorizar alimentos de biomas ricos, diversos e resilientes\u201d, afirma Max Petrucci, cofundador da Mahta, startup da \u00e1rea de nutri\u00e7\u00e3o e alimentos em p\u00f3. \u201cPrecisamos nos concentrar em uma alimenta\u00e7\u00e3o baseada em alimentos integrais e naturais, evitando ultraprocessados e escolhendo superalimentos com maior concentra\u00e7\u00e3o de nutrientes.\u201d Ele vai al\u00e9m: \u201c\u00c9 importante que a nutri\u00e7\u00e3o seja personalizada, assim como a medicina. Vamos consumir alimentos com base no que nosso corpo precisa naquele momento\u201d. Outro ponto-chave do novo momento \u00e9 a agricultura regenerativa. Ela busca recuperar e preservar a sa\u00fade do solo e dos ecossistemas agr\u00edcolas por meio de pr\u00e1ticas que promovem equil\u00edbrio ambiental e estabilidade produtiva. Envolve t\u00e9cnicas como rota\u00e7\u00e3o de culturas, cobertura permanente do solo, uso m\u00ednimo de revolvimento e a\u00e7\u00f5es para controlar a eros\u00e3o. O objetivo \u00e9 evitar novas perdas de fertilidade, mantendo o solo vivo e funcional, reduzindo impactos ambientais e contribuindo para a resili\u00eancia da agricultura frente \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>O futuro da alimenta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m traz a tend\u00eancia dos alimentos em p\u00f3. Segundo Jos\u00e9 Serna, empres\u00e1rio e investidor na ind\u00fastria agroalimentar, baseado em Dubai, nos Emirados \u00c1rabes, cerca de 40% dos alimentos consumidos j\u00e1 est\u00e3o nessa forma, seja como ingredientes industriais ou como produtos de consumo direto, como suplementos, misturas instant\u00e2neas e c\u00e1psulas. Serna destaca as vantagens desse tipo de alimento: longa vida \u00fatil, rastreabilidade, controle de qualidade, redu\u00e7\u00e3o de desperd\u00edcio e menor impacto log\u00edstico. \u201cA farinha, por exemplo, \u00e9 um alimento em p\u00f3 com milhares de anos. Estamos apenas redescobrindo e expandindo o conceito.\u201d Em rela\u00e7\u00e3o ao valor nutricional desses alimentos, Serna explica que, com o uso de tecnologias como a liofiliza\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel preservar a maioria dos nutrientes, inclusive vitaminas. \u201cO alimento em p\u00f3 pode ser saud\u00e1vel e seguro.\u201d<\/p>\n<p><strong>Tecnologia contra o desperd\u00edcio<\/strong><\/p>\n<p>Dentro da discuss\u00e3o sobre uma nova alimenta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o podem ficar de fora a redu\u00e7\u00e3o do desperd\u00edcio de alimentos e o incentivo da economia circular. O empreendedor Daniel Solomon, da HeroGo, sediada em Abu Dhabi, nos Emirados \u00c1rabes Unidos, atua para resgatar alimentos que n\u00e3o t\u00eam boa apar\u00eancia e proporcionam bons descontos. Seu slogan \u00e9 simples e direto: \u201cSave money, save food, save the planet\u201d. <br \/>\u201cO sistema alimentar est\u00e1 quebrado\u201d, afirma Solomon. Para ele, o desperd\u00edcio acontece da produ\u00e7\u00e3o ao consumo \u2014 e muitas vezes passa despercebido. Promo\u00e7\u00f5es que incentivam compras em excesso, frutas e legumes descartados por n\u00e3o serem \u201cbonitos\u201d e a confus\u00e3o em torno dos r\u00f3tulos de validade s\u00e3o apenas alguns exemplos. \u201cMuitas pessoas ainda n\u00e3o entendem a diferen\u00e7a entre \u2018consumir at\u00e9\u2019 e \u2018vencido\u2019. Precisamos educar o consumidor e padronizar as informa\u00e7\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p>A HeroGo funciona como um elo entre agricultores locais e consumidores, vendendo alimentos considerados \u201cfeios\u201d ou excedentes por meio de assinaturas semanais ou compras pontuais. Para tornar o processo ainda mais eficiente, a empresa utiliza intelig\u00eancia artificial para prever a demanda e evitar a superprodu\u00e7\u00e3o. A urg\u00eancia \u00e9 clara. O desperd\u00edcio de alimentos \u00e9 respons\u00e1vel por 8% das emiss\u00f5es globais de gases do efeito estufa. Outra voz da nova alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 Yazen Al Kodmani, gerente de uma fazenda org\u00e2nica nos Emirados \u00c1rabes Unidos e fundador da 3Y Egg Tech. \u201cH\u00e1 muitas raz\u00f5es para o problema, come\u00e7ando por falhas na colheita\u201d, relata. \u201cParte da solu\u00e7\u00e3o est\u00e1 na educa\u00e7\u00e3o do consumidor e na busca por um sistema alimentar mais resiliente.\u201d<\/p>\n<p><strong>Agricultura urbana<\/strong><\/p>\n<p>Era muito comum numa \u00e9poca em que as cidades eram mais, digamos, provincianas que as pessoas tivessem o seu pr\u00f3prio cultivo de hortali\u00e7as e at\u00e9 de frutas. Restaram poucos exemplos na vida urbana de hoje. Virou nostalgia. O grande paradoxo \u00e9 que as hortas podem se tornar um fator modernizante nas cidades. Sim, a agricultura urbana \u00e9 uma realidade moderna e at\u00e9 disruptiva. Ela pode produzir em s\u00e9rie, com valor nutricional superior e at\u00e9 sem defensivos agr\u00edcolas. Nesta nova realidade, vale destacar a agricultura vertical e os sistemas hidrop\u00f4nicos. A agricultura vertical, como o nome antecipa, utiliza estruturas verticais, como prateleiras empilhadas ou torres, para produzir alimentos em ambientes controlados, em geral dentro de edif\u00edcios ou estufas. Consome menos \u00e1gua, al\u00e9m de possibilitar a produ\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima ao consumo urbano. No caso da hidroponia, uma t\u00e9cnica j\u00e1 antiga, utiliza-se \u00e1gua \u2014 e n\u00e3o o solo como intermedi\u00e1rio. Com uma solu\u00e7\u00e3o nutritiva e dissolvida, o cultivo \u00e9 mais preciso. \u201cNa agricultura convencional, parte da \u00e1gua com nutrientes se perde no solo, enquanto na hidroponia, o sistema \u00e9 fechado e a \u00e1gua \u00e9 recirculada\u201d, diz Iv\u00e1n Garc\u00eda Besada, CEO da N\u00e9boda Farms.<\/p>\n<p><strong>Inova\u00e7\u00e3o no mercado<\/strong><\/p>\n<p>A conclus\u00e3o \u00e9 que empresas de alimentos precisam rever seus conceitos. N\u00e3o se trata apenas de produtividade ou selos de sustentabilidade, mas de recorrer \u00e0 biotecnologia. Vale destacar Andr\u00e9s Montefeltro, CEO e cofundador da Cubiq Foods, que desenvolve solu\u00e7\u00f5es alternativas de gorduras para a ind\u00fastria aliment\u00edcia, utilizando emuls\u00f5es avan\u00e7adas, microencapsula\u00e7\u00e3o e cultivo celular. Ele prop\u00f5e utilizar processos biol\u00f3gicos para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos. \u201cAs gorduras alternativas que projetamos mudam paradigmas em recheios de cremes, produtos de carne e diversas outras categorias\u201d, explica. Montefeltro critica abordagens superficiais para a sustentabilidade. \u201cA solu\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel n\u00e3o est\u00e1 em simplesmente taxar poluidores ou comprar cotas de carbono, mas em usar ingredientes que sejam menos poluentes por si s\u00f3. Precisamos focar na reindustrializa\u00e7\u00e3o e criar centros tecnol\u00f3gicos para desenvolver componentes industriais mais sustent\u00e1veis.\u201d A produ\u00e7\u00e3o e desenvolvimento de prote\u00ednas alternativas tamb\u00e9m s\u00e3o a bola da vez na discuss\u00e3o. Para Guido Mercati, cofundador e CEO da PROTe-IN, \u00e9 preciso revolucionar o segmento. Sua startup \u00e9 especializada na fermenta\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas comest\u00edveis, transformando carbono em nutrientes. A PROTe-IN captura di\u00f3xido de carbono da atmosfera ou de gases residuais para utiliz\u00e1-lo como mat\u00e9ria-prima para alimentar microrganismos. \u201cEm vez de glicose, os microrganismos se alimentam de CO\u2082 transformando-o em prote\u00ednas de alto valor nutricional\u201d, detalha.<\/p>\n<p><strong>A era das agritechs<\/strong><\/p>\n<p>A digitaliza\u00e7\u00e3o do campo, o uso de sensores, dados em tempo real, intelig\u00eancia artificial e modelos circulares j\u00e1 est\u00e3o se tornando realidade na paisagem agr\u00edcola em muitas partes do mundo. Nesse contexto, as agritechs s\u00e3o protagonistas. Um bom exemplo \u00e9 a Plantae. A startup espanhola conecta plantas por meio de sensores e tecnologia de radiofrequ\u00eancia. A empresa desenvolveu sensores de baixo custo para medir a umidade do solo, com foco inicial em vinhedos, oliveiras e horticultura. A expans\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es inovadoras no campo enfrenta desafios estruturais importantes, como a baixa conectividade em \u00e1reas rurais e o d\u00e9ficit de educa\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica entre agricultores. Samuel Lopez, CEO da Plantae, destaca que muitos produtores ainda irrigam suas planta\u00e7\u00f5es \u201cno olho\u201d. Segundo ele, \u201cn\u00e3o basta oferecer sensores, \u00e9 preciso ensinar o produtor a interpretar os dados\u201d. Para superar o entrave, a Plantae desenvolveu sensores de baixo custo e optou por parcerias com distribuidores locais, fundamentais para alcan\u00e7ar produtores que n\u00e3o est\u00e3o conectados \u00e0 internet e precisam de suporte presencial.<\/p>\n<p>Lopez enfatiza que \u201ca tecnologia precisa se moldar ao agricultor, e n\u00e3o o contr\u00e1rio\u201d. Al\u00e9m disso, ressalta que governos t\u00eam um papel vital ao investir em educa\u00e7\u00e3o rural e infraestrutura de conectividade. Nesse contexto, a aplica\u00e7\u00e3o e uso da robotiza\u00e7\u00e3o, automa\u00e7\u00e3o e Internet das Coisas (IoT) est\u00e1 transformando a forma como os alimentos s\u00e3o produzidos, monitorados e distribu\u00eddos. A robotiza\u00e7\u00e3o permite a execu\u00e7\u00e3o de tarefas repetitivas ou desgastantes, como plantio, colheita e controle de pragas, reduzindo a depend\u00eancia da m\u00e3o de obra humana e aumentando a produtividade. J\u00e1 a automa\u00e7\u00e3o de processos agr\u00edcolas, por meio de tratores aut\u00f4nomos, drones e sistemas inteligentes de irriga\u00e7\u00e3o, garante maior controle, otimizando o uso de insumos e minimizando desperd\u00edcios. A IoT tem um papel central na coleta e an\u00e1lise de dados em tempo real, conectando sensores instalados no solo, em m\u00e1quinas e nas plantas a plataformas digitais que permitem o monitoramento cont\u00ednuo das condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, da umidade, do crescimento das culturas e da sa\u00fade do solo. Essa integra\u00e7\u00e3o viabiliza uma agricultura de precis\u00e3o. Jos\u00e9 Serna tamb\u00e9m destaca a import\u00e2ncia desses recursos. Segundo ele, a nova gera\u00e7\u00e3o de empreendedores traz novas ideias, como embalagens sustent\u00e1veis, rastreabilidade via QR code e plataformas para evitar perdas no varejo e na produ\u00e7\u00e3o. \u201cMuitas vezes, a inova\u00e7\u00e3o mais eficaz vem de tecnologias simples, bem aplicadas, com valor real para quem est\u00e1 na base da cadeia produtiva.\u201d<\/p>\n<p>Essa sensibilidade ao contexto local tamb\u00e9m \u00e9 central para Yazen Al Kodmani, nos Emirados \u00c1rabes Unidos. Ali, a agricultura enfrenta obst\u00e1culos extremos: escassez de \u00e1gua, temperaturas elevadas, solos arenosos. Mesmo assim, a inova\u00e7\u00e3o floresce. Al Kodmani descreve solu\u00e7\u00f5es simples e eficazes, como as shadow houses \u2014 estruturas de sombreamento que reduzem o consumo de \u00e1gua \u2014, e o cultivo de ostras que, com novas t\u00e9cnicas, amadurecem em apenas oito meses. Ele v\u00ea um futuro h\u00edbrido, no qual tecnologias acess\u00edveis, como sensores e softwares intuitivos, fortalecem a agricultura familiar e o conhecimento \u00e9 democratizado pela internet.<\/p>\n<p><strong>Prote\u00edna alternativa<\/strong><\/p>\n<p>Essa sensibilidade ao contexto local tamb\u00e9m \u00e9 central para Yazen Al Kodmani, nos Emirados \u00c1rabes Unidos. Ali, a agricultura enfrenta obst\u00e1culos extremos: escassez de \u00e1gua, temperaturas elevadas, solos arenosos. Mesmo assim, a inova\u00e7\u00e3o floresce. Al Kodmani descreve solu\u00e7\u00f5es simples e eficazes, como as shadow houses \u2014 estruturas de sombreamento que reduzem o consumo de \u00e1gua \u2014, e o cultivo de ostras que, com novas t\u00e9cnicas, amadurecem em apenas oito meses. Ele v\u00ea um futuro h\u00edbrido, no qual tecnologias acess\u00edveis, como sensores e softwares intuitivos, fortalecem a agricultura familiar e o conhecimento \u00e9 democratizado pela internet.<\/p>\n<p><strong>Prote\u00edna alternativa<\/strong><\/p>\n<p>Uma quest\u00e3o atual\u00edssima: como agir na produ\u00e7\u00e3o global de carne? Aqui entra Albert Tseng, cofundador da DAO Foods. Com duas d\u00e9cadas dedicadas a neg\u00f3cios de impacto \u2014 ONU, sa\u00fade na \u00c1frica e engenharia biom\u00e9dica \u2014, Tseng decidiu mirar o cora\u00e7\u00e3o do problema. \u201cReduzir a depend\u00eancia de pecu\u00e1ria intensiva \u00e9 a \u2018bala de prata\u2019 para o clima, a sa\u00fade p\u00fablica e a pobreza\u201d, destaca. Sua aposta \u00e9 atuar no maior mercado do planeta. A China, com 1,4 bilh\u00e3o de habitantes, consome 26% da carne do mundo e 45% de todos os frutos do mar, mas ainda tem ingest\u00e3o per capita bem abaixo do Ocidente. Isto significa que a press\u00e3o pelo consumo de prote\u00edna animal s\u00f3 aumenta. Para Tseng, \u201ccada incremento de renda na \u00c1sia reverbera em mais soja plantada no cerrado brasileiro\u201d. Por isso, a DAO Foods investe em mais de 20 startups chinesas focadas em prote\u00edna vegetal avan\u00e7ada, fermenta\u00e7\u00e3o de mic\u00e9lio e carne cultivada, como a Starfield, que j\u00e1 estampa produtos meat-less nos card\u00e1pios do KFC e da HeyTea. A estrat\u00e9gia n\u00e3o \u00e9 substituir bife por bife, mas ganhar share of stomach com formatos locais, que misturam mic\u00e9lio (rede fungos), ervilha e soja.<\/p>\n<p>O efeito \u00e9 claro. Cada quilo de carne bovina evitado poupa at\u00e9 15 mil litros de \u00e1gua e 36 kg de CO2e. Al\u00e9m disso, 70% dos antibi\u00f3ticos do planeta, hoje destinados \u00e0 pecu\u00e1ria, deixariam de entrar na cadeia alimentar. Tseng alerta, no entanto, para um gargalo: letramento. \u201cN\u00e3o basta tecnologia. Precisamos \u2018alfabetizar\u2019 consumidores, investidores e reguladores sobre o valor social e ambiental dessas novas prote\u00ednas.\u201d Sem esse esfor\u00e7o conjunto, segundo ele, inova\u00e7\u00f5es poder\u00e3o ficar presas em labirintos regulat\u00f3rios que duram de 5 a 10 anos.<\/p>\n<p>Embora a intelig\u00eancia artificial venha transformando a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, especialistas alertam que, sem regulamenta\u00e7\u00f5es adequadas, seu uso pode gerar efeitos colaterais significativos. Problemas como a vulnerabilidade de patentes, o dom\u00ednio de plataformas fechadas, o risco de exclus\u00e3o tecnol\u00f3gica de pequenos produtores e o uso indevido de dados devem ganhar escala, caso n\u00e3o haja investimentos consistentes em forma\u00e7\u00e3o e pol\u00edticas de governan\u00e7a.<br \/>Uma das amea\u00e7as mais urgentes refere-se ao uso da IA para reproduzir caracter\u00edsticas de sementes patenteadas por meio da engenharia reversa. Combinando algoritmos sofisticados e bases gen\u00e9ticas p\u00fablicas, sistemas automatizados j\u00e1 s\u00e3o capazes de mapear tra\u00e7os como toler\u00e2ncia \u00e0 seca ou resist\u00eancia a pragas \u2014 um caminho que pode levar \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de sementes \u201cpiratas\u201d e \u00e0 eros\u00e3o dos direitos de propriedade intelectual. A International Seed Federation aponta esse fen\u00f4meno como uma das fragilidades mais cr\u00edticas do sistema global de patentes no setor agropecu\u00e1rio.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a precis\u00e3o dos modelos de IA depende diretamente da qualidade dos dados com que s\u00e3o treinados. Muitos algoritmos foram desenvolvidos com base em dados oriundos de solos e climas europeus ou norte-americanos, o que resulta em falhas quando aplicados em contextos tropicais. Com o campo cada vez mais conectado, automatizado e orientado por algoritmos, torna-se urgente construir uma base \u00e9tica e legal s\u00f3lida. Encontrar o equil\u00edbrio entre o uso criativo da tecnologia e a prote\u00e7\u00e3o dos direitos de agricultores ser\u00e1 fundamental para que a intelig\u00eancia artificial contribua, de fato, para um sistema alimentar sustent\u00e1vel, inclusivo e resiliente at\u00e9 2030.\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Parceiro de conte\u00fado da THE PRESIDENT, o Future Hacker apresenta, com exclusividade, cap\u00edtulo do relat\u00f3rio Horizon, que ser\u00e1 lan\u00e7ado no&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":25380,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[28],"tags":[2053,3025,257],"class_list":["post-25375","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mercado","tag-agro","tag-agroaliancas","tag-mercado"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mapa360.com.br\/thepresident\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25375","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mapa360.com.br\/thepresident\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mapa360.com.br\/thepresident\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapa360.com.br\/thepresident\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapa360.com.br\/thepresident\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25375"}],"version-history":[{"count":13,"href":"https:\/\/mapa360.com.br\/thepresident\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25375\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28535,"href":"https:\/\/mapa360.com.br\/thepresident\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25375\/revisions\/28535"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapa360.com.br\/thepresident\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25380"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mapa360.com.br\/thepresident\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25375"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapa360.com.br\/thepresident\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25375"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapa360.com.br\/thepresident\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25375"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}