{"id":25232,"date":"2025-11-10T17:36:30","date_gmt":"2025-11-10T20:36:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.thepresident.com.br\/?p=25232"},"modified":"2026-01-11T20:10:00","modified_gmt":"2026-01-11T23:10:00","slug":"da-gondola-ao-copo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mapa360.com.br\/thepresident\/da-gondola-ao-copo\/","title":{"rendered":"Da g\u00f4ndola ao copo"},"content":{"rendered":"<p>Fernando Gorayeb, CEO da Ballena, explica como pesquisa e percep\u00e7\u00e3o orientam cada decis\u00e3o na cria\u00e7\u00e3o de novos r\u00f3tulos<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Por<b> Reda\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><b style=\"font-weight: 400;\">Fotos Divulga\u00e7\u00e3o\/Fernando Gorayeb<\/b><\/p>\n<p>H\u00e1 quem entre no mercado de bebidas por oportunidade. E h\u00e1 quem entre por fasc\u00ednio. No caso de Fernando Gorayeb, CEO da Ballena, o ponto de partida foi o encantamento genu\u00edno por aquilo que circula entre pessoas: o ritual do encontro. A porta se abriu quando o empres\u00e1rio trouxe ao Brasil a Fever-Tree e, a partir dali, come\u00e7ou a criar seus pr\u00f3prios r\u00f3tulos, n\u00e3o como exerc\u00edcio de branding, mas como extens\u00e3o de um olhar atento para o consumo.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cSe o seu produto for apenas mais um entre tantos, nenhuma estrat\u00e9gia vai sustent\u00e1-lo.\u201d, ditado este que resume seu m\u00e9todo: viajar, observar, perceber o que est\u00e1 latente e traduzir isso em produtos com atmosfera pr\u00f3pria. Autenticidade antes de tend\u00eancia. Estrat\u00e9gia antes de expans\u00e3o.<\/p>\n<figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"683\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.thepresident.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/www.thepresident.com.br-da-gondola-ao-copo-fernandogorayeb-36634-1-683x1024.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/www.thepresident.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/www.thepresident.com.br-da-gondola-ao-copo-fernandogorayeb-36634-1-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.thepresident.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/www.thepresident.com.br-da-gondola-ao-copo-fernandogorayeb-36634-1-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.thepresident.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/www.thepresident.com.br-da-gondola-ao-copo-fernandogorayeb-36634-1-768x1152.jpg 768w, https:\/\/www.thepresident.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/www.thepresident.com.br-da-gondola-ao-copo-fernandogorayeb-36634-1.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><figcaption>Fernando Gorayeb, CEO da Ballena, e a paix\u00e3o que guia cada r\u00f3tulo. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Fernando Gorayeb<\/figcaption><\/figure>\n<p>No comando de um pool de marcas que segue crescendo, Gorayeb equilibra cria\u00e7\u00e3o, posicionamento e gest\u00e3o com uma combina\u00e7\u00e3o rara: vis\u00e3o de longo prazo e tato para o presente. Em entrevista \u00e0<a href=\"https:\/\/www.thepresident.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> THE PRESIDENT<\/a> o empres\u00e1rio revisita o in\u00edcio de sua carreira, aprendizados que moldam seu processo e o movimento de levar a Ballena para um mercado mais competitivo.<\/p>\n<p><strong><em>THE PRESIDENT _<\/em>\u00a0Como surgiu seu interesse pelo universo das bebidas e o que motivou seus primeiros empreendimentos?<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Fernando Gorayeb <\/em><\/strong><em>&#8211;<\/em> Meu interesse pelo mercado de bebidas surgiu porque sempre fui um apreciador. Sou aquele cara que, quando chega em um restaurante, bar ou hotel, sempre pede uma recomenda\u00e7\u00e3o, pergunta qual \u00e9 o drink da casa, tenta experimentar algo novo. Acho que isso sempre me seduziu. Trabalhar com um bem de consumo como alimento e bebida \u00e9 muito legal, porque voc\u00ea v\u00ea aquilo acontecer na pr\u00e1tica. Voc\u00ea v\u00ea o seu produto na g\u00f4ndola, v\u00ea as pessoas tomando, v\u00ea a garrafa circulando de um lado para o outro. Isso \u00e9 algo muito sedutor, porque traz uma sensa\u00e7\u00e3o concreta de realiza\u00e7\u00e3o.<br \/>A minha grande entrada nesse mercado foi com a importa\u00e7\u00e3o da Fever-Tree, uma marca inglesa de mixers que continua sendo l\u00edder na categoria premium. H\u00e1 cerca de dez anos, tive a oportunidade de importar e desenvolver essa marca com exclusividade no Brasil, e isso me proporcionou um acesso e um conhecimento enorme sobre o mercado nacional. \u00c9 uma marca muito not\u00f3ria, que hoje vale cerca de dois bilh\u00f5es de libras na bolsa de Londres. Na \u00e9poca, todas as grandes ind\u00fastrias queriam fazer parceria comigo, ent\u00e3o acabei aprendendo muito r\u00e1pido. E, a partir do primeiro produto que desenvolvi; n\u00e3o o da marca, mas o primeiro que criei por conta pr\u00f3pria; comecei a empreender e a desenvolver os meus pr\u00f3prios r\u00f3tulos. Acho que esse foi meu grande primeiro passo e minha principal motiva\u00e7\u00e3o dentro do mercado de bebidas.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea identifica tend\u00eancias antes de lan\u00e7ar um novo produto?<\/strong><\/p>\n<p><em><strong>FG<\/strong> <\/em>&#8211; Identificar tend\u00eancias \u00e9 quase como aquela pergunta sobre o que veio primeiro, o ovo ou a galinha. \u00c9 um conceito complexo, porque envolve v\u00e1rias camadas. Com experi\u00eancia de mercado, voc\u00ea percebe que uma das coisas mais importantes, especialmente no setor de bebidas, \u00e9 ter a possibilidade de viajar e conhecer outras culturas. Isso enriquece muito o conhecimento sobre a forma como as pessoas consomem, sobre o que est\u00e1 acontecendo e, principalmente, sobre o que vai acontecer. Esse olhar global ajuda muito a aplicar ideias na cria\u00e7\u00e3o de novos produtos. Mas isso \u00e9 apenas uma parte do processo. Se voc\u00ea apenas seguir tend\u00eancias, acaba criando algo igual ao que todo mundo faz. E a\u00ed, perde autenticidade. Ent\u00e3o, \u00e9 fundamental conhecer o mercado, estar sempre antenado, viajar, observar outras realidades, entender o que est\u00e1 acontecendo n\u00e3o s\u00f3 no Brasil, mas no mundo, e a partir da\u00ed, aplicar esse repert\u00f3rio de uma forma que n\u00e3o se distancie tanto do presente, mas tamb\u00e9m aponte para o futuro.<\/p>\n<p><strong>Como gerenciar marcas diferentes ao mesmo tempo?<\/strong><\/p>\n<p><em><strong>FG <\/strong>&#8211;<\/em> Gerenciar v\u00e1rias marcas ao mesmo tempo \u00e9 um desafio, mas hoje eu tenho o lado positivo de contar com uma equipe competente, em quem confio, e \u00e0 qual posso dar autonomia. Isso nos permite alcan\u00e7ar nossas metas e objetivos com clareza. Eu acredito muito que ningu\u00e9m constr\u00f3i nada sozinho. \u00c9 essencial saber identificar onde voc\u00ea desenvolve algo com excel\u00eancia e onde precisa de ajuda. Nesse ponto, entra tamb\u00e9m a import\u00e2ncia dos meus s\u00f3cios, tenho parceiros diferentes em algumas marcas, que me auxiliam tanto no dia a dia quanto na gest\u00e3o. Ter uma equipe s\u00f3lida e s\u00f3cios comprometidos permite que a gente mantenha um pool de marcas saud\u00e1vel, com aten\u00e7\u00e3o e foco em cada uma delas. Isso garante que nenhuma fique esquecida e todas possam se desenvolver de acordo com seus pr\u00f3prios objetivos.<\/p>\n<p><strong>Quais os maiores desafios da expans\u00e3o da Ballena para os EUA?<\/strong><\/p>\n<p><em><strong>FG <\/strong>&#8211; <\/em>Os maiores desafios da expans\u00e3o da Ballena para os Estados Unidos est\u00e3o relacionados ao fato de o mercado americano ser muito mais hostil do que o brasileiro. Aqui no Brasil, \u00e9 poss\u00edvel ter um crescimento org\u00e2nico, mais natural, que n\u00e3o depende de grandes investimentos de capital. J\u00e1 nos Estados Unidos, existe uma enorme disponibilidade de capital esperando boas ideias: o que significa que a concorr\u00eancia \u00e9 muito maior e mais agressiva. O primeiro grande desafio, portanto, \u00e9 entrar estruturado no mercado americano. Embora ele seja cerca de dez vezes maior que o brasileiro, \u00e9 tamb\u00e9m mais competitivo. \u00c9 preciso ter uma estrat\u00e9gia muito bem definida, entender que n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio estar em todos os estados, mas sim nos mercados certos, e contar com um parceiro local realmente comprometido com o desenvolvimento da marca.<br \/>Outro ponto importante \u00e9 entender qual ser\u00e1 a adapta\u00e7\u00e3o ou \u201ctropicaliza\u00e7\u00e3o\u201d, como costumamos dizer quando trazemos algo para o Brasil, da marca para esse novo p\u00fablico. \u00c9 necess\u00e1rio ajustar produto, estrat\u00e9gia, consumo e comunica\u00e7\u00e3o ao perfil americano. O mercado dos EUA \u00e9 din\u00e2mico e depende de investimento constante para se atingir os objetivos. Em resumo: \u00e9 fundamental entrar com um bom aporte de capital, uma estrat\u00e9gia clara e uma adapta\u00e7\u00e3o bem feita para ter sucesso l\u00e1 fora.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea define o posicionamento das suas marcas no mercado?<\/strong><\/p>\n<p><em><strong>FG <\/strong>&#8211; <\/em>O posicionamento nasce do objetivo principal da marca. Quando voc\u00ea cria uma marca, define o seu storytelling, a sua atmosfera, a persona ideal do consumidor e o universo que ela vai habitar. \u00c9 isso que determina o posicionamento desejado no mercado. Esse processo \u00e9 uma mistura entre o que voc\u00ea quer e o que voc\u00ea consegue. Voc\u00ea visualiza onde quer chegar, trabalha intensamente, faz experi\u00eancias, ativa\u00e7\u00f5es, investe em marketing, em posicionamento e tenta alcan\u00e7ar aquele ponto que imaginou. Mas o mercado \u00e9 din\u00e2mico, e o consumidor muda. Ent\u00e3o, mesmo que o posicionamento seja definido no \u201cDia 1\u201d com o p\u00fablico, o pre\u00e7o, o produto, o tom da comunica\u00e7\u00e3o e a proposta de valor, \u00e9 inevit\u00e1vel fazer ajustes ao longo do tempo. A partir do feedback do mercado, voc\u00ea vai manobrando e ajustando a estrat\u00e9gia para chegar o mais perto poss\u00edvel do objetivo inicial. \u00c9 um processo vivo, em constante evolu\u00e7\u00e3o, mas que precisa sempre respeitar a ess\u00eancia da marca.<\/p>\n<p><strong>Quais estrat\u00e9gias voc\u00ea usa para diferenciar suas marcas em um mercado competitivo?<\/strong><\/p>\n<p><em><strong>FG <\/strong>&#8211;<\/em> Acho que as estrat\u00e9gias que usamos s\u00e3o, em grande parte, os nossos pr\u00f3prios diferenciais. Quando voc\u00ea lan\u00e7a um produto, ele precisa ter algo \u00fanico, n\u00e3o pode ser mais do mesmo. N\u00e3o precisa de mil diferenciais, mas um grande diferencial j\u00e1 \u00e9 suficiente para servir como o alicerce de toda a estrat\u00e9gia. Todas as nossas marcas t\u00eam algo que as diferencia. A partir disso, criamos experi\u00eancias, v\u00ednculos afetivos, comunidades, hype e tend\u00eancias ao redor delas. Quando um produto \u00e9 apenas mais um entre tantos, por mais que a estrat\u00e9gia seja boa, ela n\u00e3o tem legitimidade. O que sustenta uma boa estrat\u00e9gia \u00e9 a autenticidade. Ent\u00e3o, em resumo: tenha um diferencial real e construa todo o ecossistema da marca (experi\u00eancias, ativa\u00e7\u00f5es, comunidade) em torno dele. \u00c9 isso que gera valor e diferencia\u00e7\u00e3o verdadeira.<\/p>\n<p><strong>Que conselho voc\u00ea daria a quem quer empreender no setor de bebidas?<\/strong><\/p>\n<p><em><strong>FG <\/strong>&#8211; <\/em>Se eu pudesse dar um conselho a quem quer empreender no setor de bebidas, eu diria algo que sempre repito: se voc\u00ea tem uma ideia na qual acredita tanto a ponto de vender tudo o que tem para apostar nela, mesmo sabendo que pode ficar sem nada no m\u00eas seguinte, ent\u00e3o invista. Porque isso \u00e9 empreender. Empreender \u00e9 acreditar de verdade, mesmo quando o cen\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 favor\u00e1vel. Mas \u00e9 importante tamb\u00e9m entender que voc\u00ea n\u00e3o faz nada sozinho. Isso n\u00e3o significa se associar a qualquer pessoa, muito pelo contr\u00e1rio. \u00c9 essencial identificar onde voc\u00ea tem excel\u00eancia, onde precisa de apoio e se cercar de pessoas certas, com car\u00e1ter, \u00e9tica e o mesmo prop\u00f3sito que voc\u00ea. Neg\u00f3cios s\u00f3lidos se constroem com boas ideias, mas s\u00f3 prosperam com boas pessoas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cSe o seu produto for apenas mais um entre tantos, nenhuma estrat\u00e9gia vai sustent\u00e1-lo\u201d, diz CEO da Ballena<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":25233,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[2998,3000,237],"class_list":["post-25232","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevista","tag-ballena","tag-bebidas","tag-ceo"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mapa360.com.br\/thepresident\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25232","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mapa360.com.br\/thepresident\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mapa360.com.br\/thepresident\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapa360.com.br\/thepresident\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapa360.com.br\/thepresident\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25232"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/mapa360.com.br\/thepresident\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25232\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28549,"href":"https:\/\/mapa360.com.br\/thepresident\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25232\/revisions\/28549"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mapa360.com.br\/thepresident\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25233"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mapa360.com.br\/thepresident\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25232"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapa360.com.br\/thepresident\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25232"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mapa360.com.br\/thepresident\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25232"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}