Ensaio para o novo normal



Por Ariane Belomo

O cenário de uma pandemia já esteve diante dos nossos olhos, mas sob uma perspectiva diferente e com direito à trilha sonora. Assistíamos ao caos de um vírus mortal através de uma tela, protegidos em casa, comendo pipoca e tomando refrigerante. E como toda boa história de Hollywood, a vacina chegava rapidamente como a grande salvação. Quem já assistiu filmes como ˜Ensaio sobre a cegueira” e “Contágio”, sabe bem do que estou falando.

O momento atual que estamos vivendo é, além de excepcional, histórico. Tudo o que antes conhecíamos como usual, mundano, ficou para trás. As prioridades se tornaram outras, o modo de trabalhar, estudar, se relacionar, teve que se adaptar ao que muitos hoje chamam de “novo normal”.

Nós, profissionais de comunicação, sempre nos dedicamos a entender o comportamento do consumidor, sua jornada, necessidades e desejos. E agora, mais do que nunca, estamos com o famoso “Olho de Tandera” com o objetivo de compreender os novos movimentos de consumo.

Segundo o hub de inteligência do Google, existem três macro forças que precisamos ficar atentos: incerteza, volatilidade e mobilidade.

Incerteza: o réveillon de Copa Copacabana, o carnaval de Olinda. Tudo isso ficou para trás, é passado (engraçado pensar assim em relação a algo que aconteceu meses antes). O modo antigo de pensar, agir e consumir está apertado demais para caber no nosso presente e também no futuro. Até mesmo porque, como prever um futuro, sendo que não conseguimos nem ter ideia de quando haverá uma cura ou controle para o COVID-19?

Volatilidade: o que cabia semana passada no seu dia a dia, pode não caber mais neste exato momento. O mundo digital já havia trazido a volatilidade para a nossa rotina, mas agora, muito mais do que nunca, as mudanças precisam ser pensadas de maneira calculada, pois os recursos financeiros de hoje podem não ser os mesmos de amanhã. Isso altera prioridades e traz um novo sentimento: a cautela.

Mobilidade: o tal direito de “ir e vir” parece que foi tomado de todos nós. O simples fato de não poder sair para achatar a curva, se prevenir e cuidar da saúde de todos, fez com que outras alternativas, já existentes, ganhassem forças. Sim, estamos falando do Delivery e e-commerce! Enquanto nós não nos movimentamos, há quem se movimente por nós para recebermos em casa o que precisamos.

Mas afinal, o que precisamos? De qual novo consumidor, neste novo normal, estamos falando?

Em maio deste ano, o Facebook, junto com a Kantar Ibope, realizou uma pesquisa que identificou algumas diretrizes:

– As marcas têm a oportunidade de usar mensagens e dispositivos conectados para tornar as compras mais seguras: 41% dos brasileiros concluíram uma compra por meio de um serviço de mensagens desde o início da pandemia no Brasil.

– Saúde em primeiro lugar, inclusive dentro de casa: 62% dos brasileiros usaram um app de exercícios ou assistiram a um vídeo de exercícios em casa pela primeira vez desde quando começou a quarentena. Além disso, o Google apresentou um crescimento de +400% nas buscas relacionadas a Yoga e Meditação Online.

– Compro, logo existo: 62% compraram online em supermercados pela primeira vez na quarentena. Em buscadores como o Google, o crescimento de buscas por deliveries de bebida aumentou em +50%.

Os dados são diversos. Eu poderia ficar aqui dissertando sobre tudo o que tenho lido e absorvido sobre o ”novo normal”. Mas no meio disso tudo, chamo atenção para um ponto muito importante, ponto o qual justifica eu estar aqui escrevendo para vocês: o consumo mudou e a grande maioria dele está em um só ambiente: o digital.

O momento pede uma forte presença digital das marcas para que os consumidores descubram e aprendam sobre seus produtos. É uma oportunidade única de orientar os consumidores, por meio de uma boa experiência, e pode criar associação positiva com a marca. Estamos falando aqui de estratégias construídas de maneira sólida, mas também voláteis, seja de performance, social media, social listening ou influenciadores, pois devemos prever os atritos e saber contorná-los com rapidez e fluidez.

Já dizia Darwin: “Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças”. Hoje a pandemia não faz só parte das histórias de cinema, mas faz parte da minha, da sua, da nossa.

E é por isso que, como um bom camaleão, a MAPA360 se adapta às mudanças, trazendo para dentro de casa um time focado em inovação digital, com olhar 360 a todas as mudanças do mercado, do consumidor, do mundo.

Estamos hoje no meio do ensaio de um novo normal. Dados e tendências nos ajudam a compreender melhor as demandas e necessidades das pessoas, colaboram para as tomadas de decisões que irão sustentar um modelo de negócio fortalecido no momento pós-pandemia.

Não sabemos quando haverá uma vacina, quando a cura será anunciada, mas ao invés de esperar, agarramos todas as oportunidades que temos a nossa frente para juntos, absorvermos todos os dados, construirmos estratégias e fazermos a diferença.

*Ariane Belomo é head de digital na MAPA360


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