Comunicar para engajar… também o público interno



Por Thais Moreira

No Brasil, a preocupação com a comunicação interna começa a ganhar espaço e as páginas dos livros teóricos a partir dos anos 50, com o objetivo de promover o diálogo entre líderes, equipes e parceiros estratégicos.

Academicamente falando, a área ocupa cadeiras dedicadas apenas a ela, tamanha sua importância. Na prática, vimos a dificuldade que algumas empresas encontram para comunicar-se com seus pares na “normalidade” da vida – imagine em meio à uma pandemia. Afinal, quem diria que algum dia iríamos enfrentar uma crise, cujo disseminador fosse invisível? Parece coisa de outros tempos. Então, como comunicar o que não vemos, apenas sofremos seus efeitos? Ou ainda, como engajar os colaboradores?

Todas as empresas, instituições, ou associações são suscetíveis a encarar crises ao longo de sua jornada. Entretanto, aquelas que apresentam a comunicação mais robusta e desenvolvida, tendem a administrá-las de maneira mais fluida e eficiente. Desta forma, as estratégias de comunicação interna permeiam desde o alinhamento interno, definição de porta-vozes, manutenção de valores e cultura empresarial, até o engajamento do colaborador, a sensação de pertencimento e a disponibilidade de seu lugar de fala. Além disso, parceiros importantes sentem-se confiantes em relação ao trabalho subsequente. A falta dela pode custar caro, literalmente, para a empresa. A criação de ruídos, incertezas em relação ao futuro e carreira, desmotivação de equipes e até a propagação de fake news podem prejudicar amargamente o negócio, isso quando não são fatais para sua continuidade.

Em tempos em que a distância é impositiva, com o isolamento social e determinação de home office para a maioria dos trabalhadores, iniciativas simples, mas desde que bem planejadas e aplicadas, fazem toda a diferença. Palavras-chave que podem servir como guia são inovação e conexão. Comunicados recorrentes que tragam a transparência em relação às medidas que estão sendo tomadas pela empresa, a presença de líderes e executivos do C-Level é imprescindível para a confiança do colaborador, que enxerga o acompanhamento e tomada de decisão para enfrentamento da crise.

Por outro lado, já fazem parte do dia a dia as lives de conteúdo qualificado e de entretenimento. Como também, as inúmeras ferramentas de reuniões on-line.

A questão é, onde fica a descontração, tão importante neste momento? Pensando nisso e em aproximar os colaboradores, acostumados com o trabalho presencial, uma ação que trouxemos para cliente da área de recursos humanos foi um “Show de Talentos”. Isso, mesmo, apresentações em que o palco era a casa do próprio colaborador, que se apresentou virtualmente para os colegas, mostrando suas habilidades de canto, dança e até truques de mágica. Este é “só” mais um jeito divertido de manter a proximidade e a conexão. Onde entra a comunicação? No engajamento, na busca de ferramentas e canais que permitam essa interação e acolhimento.

Mas há funções que não podem ser exercidas via home office. É o caso de parte dos colaboradores do setor de logística, que precisam comparecer aos galpões de mercadorias, e destiná-las a consumidores espalhados por todo o País – atividade inclusive essencial frente ao cenário atual. Neste caso, a comunicação interna destaca-se por abranger desde a disseminação de informações sobre contágio e prevenção, elaboração de guias de conduta, cuidados no local de trabalho, envio de kits para aqueles que não estão em isolamento e mantém contato com o ambiente externo, e presença de altos cargos no sentido de fortalecer a relação com cada um.

Portanto, para além de sua função básica – informar funcionários sobre o dia a dia da organização –, a comunicação interna assume um papel determinante no enfrentamento de crises porque, além de informativa, em momentos como este ela se mostra o que de fato é: estratégica, cirúrgica, engajadora e motivadora, responsável por assumir um importante elo de conexão e orientação.

 

(*) Thais Moreira é analista de Comunicação da MAPA360, agência de comunicação full service. Criada há 18 anos, com escritórios em São Paulo (SP) e Ponta Grossa (PR), a agência soma 40 clientes de diferentes segmentos econômicos